Surge Hollywood
Do filme mudo ao falado, do advento bicolor ao colorido, tudo houve de realizar-se no inicio do século 20. Em 1935, a produção norte-americana respondia por 85% da fortuna mundial, fazendo de Hollywood uma capital de fortunas e de sonhos. Suas obras máximas espalhavam-se pelo mundo, suas atrizes tornavam-se celebridades mundiais, invejadas e imitadas em todo lugar. Diante do cinema, as revistas de moda e a vida mundana de Paris perdiam muito do seu fascínio e do seu poder de influência. A televisão ainda não existia, o cinema era assim o grande fascínio visual do século.
Uma industria de imagem tão importante não poderia ficar a mercê de artesãos estrangeiros a fim de montar o guarda-roupa de suas memoráveis personagens. Assim como desenvolveu técnicos nas mais impensáveis especialidades, Hollywood gerou um grupo de figurinistas sensíveis a disciplina e ao ritmo fabril dos estúdios, aos cronogramas das grandes produções e aos caprichos de suas estrelas. Adrian, da M.G.M, vestiu Greta Garbo e Joan Crawford. Travis Banton, da Paramount, desenhou para Marlene Dietrich e Claudette Colbert.
O estilismo de cinema tinha suas particularidades, a fotogenia comandava a seleção de tecidos, cores e formas. Em termos de moda, o cinema criou um poderoso canal de formação do gosto coletivo, capaz de neutralizar, aos olhos do grande público, a legitimidade da costura francesa.
O surto de Hollywood venceu uma difícil etapa de recessão e guerra, e prosseguiu muitos anos ainda hegemônicos até perder espaço para televisão. Palco de guerra, a Europa não poderia ser palco de desfiles. Criando seus ídolos e sua moda, Hollywood contribuiu bastante para o progresso da industria de roupas e cosméticos. O batom, o rouge, o esmalte de unhas, o rímel e o lápis de sobrancelhas são lançamentos dessa época, e tiveram sua rápida difusão assegurada pelo cinema.
Clark Gable, em uma cena de 1935, despiu a camisa mostrando o peito nu. Alguns segundos de cena bastaram para alavancar, da noite para o dia, a venda de camisetas básicas. Mesmo fora da tela e às vezes de modo inocente, atrizes famosas podiam “ditar” moda.
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O que você veste pela manha?
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Uma saia e um pulôver.
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E à tarde?
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Outra saia e outro pulôver.
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E a noite?
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O mesmo, só que em seda.
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E ao deitar?
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Cinco gotas de Chanel No 5.
Audrey Hepburn, em entrevista durante bastidores de suas gravações, mostrando ao mundo os destinos da moda nos Estados Unidos.
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